Câncer Colorretal

O que você precisa saber

O câncer colorretal é um tumor maligno que se origina no intestino grosso.
O intestino grosso tem a função de absorção de água e eletrólitos, possui cerca de 1,5 metros de comprimento, apresentando fixo na sua quase totalidade. È formado pelo cólon, situado no abdome, e pelo reto e ânus, localizados na pelve e períneo.

Definindo melhor e de uma maneira bem sustenta, câncer é um crescimento anormal e descontrolado de células. Normalmente, as células do corpo se dividem de modo regular, com novas células sendo formadas para substituir igual número de células que se “esgotaram” ou para reparar danos. No câncer, células proliferam descontroladamente e o crescimento anormal de células cancerosas forma tumores, os quais podem destruir ou substituir tecidos do organismo.

Nem todos os crescimentos anormais conhecidos como tumores são cancerosos ou malignos. Um tumor benigno não é canceroso.
Tumores cancerosos ou malignos, podem invadir tecidos ao redor. Através de um processo conhecido como metástase, células malignas migram para locais distantes no corpo, onde podem se multiplicar novamente e formar novos tumores, ou metástase.

O câncer colorretal apresenta distribuição universal e incide com maior frequência em países desenvolvidos e industrializados.
É um importante problema de saúde pública mundial.

No Brasil, a importância do câncer colorretal é evidenciada pelos dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2004) do Ministério da Saúde que mostra incidência ocupando o 5º lugar entre os homens e o 4º lugar entre as mulheres.

Cerca de 75% dos enfermos situam-se na faixa etária dos 15 aos 75 anos de idade, sendo mais frequente no sexo feminino do que no masculino.

A etiologia (a causa) do câncer colorretal multifatorial e envolve uma complexa interação entre fatores genéticos individuais e fatores de ordem ambiental, principalmente a dieta.

Alguns fatores são bem estabelecidos e com grande suspeitas de desencadearem a doença, tais como, história de pólipos no intestino grosso, história familiar de câncer, história de colites (colite ulcerativa e Doença de Crohn), meio ambiente, dieta, obesidade, tabagismo, entre outros.

Dentre os fatores dietéticos há que se destacar o papel das gorduras e das fibras como os principais agentes implicados no aparecimento do câncer colorretal.
As dietas pobres em fibras predispõem ao aparecimento de câncer em virtude do retardo do trânsito intestinal e consequentemente aumento do contato de possíveis substâncias cancerígenas com a mucosa intestinal. As fibras aumentam o conteúdo de água e o volume das fezes acelerando o trânsito intestinal. Dietas ricas em gorduras e colesterol tem sido associadas com o aumento no risco de câncer no intestino.

Os sintomas do câncer de intestino estão na dependência da área do cólon envolvida e do estágio da doença.
Durante os estágios iniciais do câncer, algumas pessoas não apresentam sintomas. Outros se queixam de dor abdominal sem características específicas, gases, alterações discretas do hábito intestinal e fraqueza.

Quando o tumor localizado no lado direito do cólon pode causar dor abdominal, perda de peso e uma massa palpável do lado direito do abdome ou apenas sensação de desconforto do lado direito. É muito comum apresentarem anemia.

Quando o tumor está localizado do lado esquerdo em geral as queixas são mais precoces devido ao diâmetro menor da luz intestinal (por oclusão progressiva da luz intestinal). As queixas são mais comuns quando o tumor compromete o lado esquerdo com dores abdominais, tipo cólica, constipação intestinal alternada com diarreia. A presença de sangue é frequente, porém em pequenas quantidades, geralmente de coloração escurecida nas fezes e associada a muco.

O câncer localizado no reto apresenta como sintoma mais frequente a perda de sangue claro, tipo vermelho rutilante, juntamente com as fezes, associados ou não com presença de muco. Pode haver sensação de evacuação incompleta.

Todo paciente com câncer tem prognóstico relacionado diretamente a precocidade de seu diagnóstico, ou seja, quanto mais precoce, melhor o prognóstico. O diagnóstico da doença inicia-se com a história clinica minuciosa e exame clínico realizado pelo médico. Faz parte da avaliação o toque retal, principalmente nos indivíduos acima de 40 anos. O câncer de reto na porção terminal pode ser alcançado com dedo.

No entanto o câncer de cólon está localizado muito acima no intestino, exige exames complementares para ser detectados dos quais os mais importantes são as retossigmoidoscopias que visualiza o cólon todo e parte do intestino delgado (íleo terminal). Ambos têm a vantagem da visão direta do tumor e a possibilidade de realização de biopsias para confirmação do câncer. Existem outros exames que identificam alterações sugestivas de tumor e outros que possibilitam a pesquisa de metástases à distancia como, pesquisa de sangue oculto nas fezes , exames de imagem (enema opaco), tomografia e, ou ressonância magnética, ultrasson e outros.

O câncer do intestino é uma doença tratável e frequentemente curável, sendo a cirurgia o tratamento primário com a ressecção do segmento comprometido. O principal problema pós-cirurgia é a recidiva do tumor e a metástase à distancia .

O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor e da saúde do paciente. Quimioterapia (tratamento com medicamentos) e/ ou Radioterapia (tratamento com alta energia para destruir as células cancerosas), podem ser recompensadas dependendo de alguns fatores. A prevenção da doença inicia-se evitando dieta pobre em fibras e ricas em gorduras, dietas com grande quantidade de conservas e aditivos químicos, o fumo, a obesidade e o sedentarismo. Recomenda-se exames para homens e mulheres acima de 50 anos, e indivíduos com pólipos intestinais, familiares que desenvolvem câncer de intestino ou ginecológico (mama, ovário e útero), e individuos com colite por muito tempo (colite ulcerativa e Doença de Crohn).

A população necessita através dos profissionais da saúde e da mídia, a conscientização sobre o câncer colorretal, sua prevenção e a importância da detecção precoce.


Anatomia

 


Crédito: GEDIIB - Unimagem

 

Câncer

 


Crédito: GEDIIB - Unimagem

 


Temas Importantes

Câncer de Reto

Os cânceres de cólon e de reto estão entre os tumores malignos mais comuns em todo mundo. No Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA-2012), estima-se que o câncer colorretal é o terceiro tumor mais frequente em adultos. Nos homens, o câncer colorretal é superado pelos tumores de próstata e pulmões e nas mulheres pelos tumores de mama e colo de útero.

Com relação ao perfil etário do câncer colorretal, nota-se um aumento acentuado da incidência a partir dos 40 anos em mulheres e 50 anos em homens. Acredita-se que o câncer intestinal é um processo multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e dietéticos.

O câncer retal propriamente dito, tem uma incidência de aproximadamente 29 % dentre os tumores intestinais.
O sangramento pelo ânus é a queixa mais frequente (35 a 40%) dos pacientes, seguido por eliminação de muco com as fezes. A presença de muco e sangramento nas fezes deve ser considerada uma combinação altamente sugestiva e que exige investigação diagnóstica. Outras queixas como: mudança do hábito intestinal e dor abdominal podem ser resultado de uma lesão tumoral obstrutiva ou parcialmente obstrutiva. A dor no reto é um sintoma menos comum de câncer.

As etapas fundamentais para o diagnóstico do câncer retal são; a história clínica que permite o médico responsável direcionar seu raciocínio e levantar suspeitas de possíveis grupos de riscos; o exame físico que permite o médico detectar 50% dos tumores situados no reto e canal anal através do toque retal; e os exames endoscópicos como retossigmoidoscopia e colonoscopia que permitem a visualização da lesão e biópsias para confirmação diagnóstica.

Uma vez estabelecido o diagnóstico do câncer de reto, o passo seguinte e fundamental é o seu estadiamento. O estadiamento tem como importância a determinação da conduta e estratégia do tratamento, e para tal necessita de métodos clínicos, laboratoriais e de imagem, como; tomografia ou ressonância magnética, visando determinar o tamanho do tumor e seu grau de invasão local e a distância (metástases).

O câncer retal é uma doença tratável e frequentemente curável, sendo a cirurgia o seu tratamento principal.
O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor e do estado geral do paciente. O uso de medicações com objetivo de eliminar ou diminuir a população de células cancerosas é chamado quimioterapia e a terapia por radiação que envolve o uso de raios-x de alta energia para destruir as células cancerosas é denominado radioterapia.

A radioterapia frequentemente é utilizada em combinação com a quimioterapia no tratamento do câncer de reto.
Tanto a quimioterapia como a radioterapia pode ser usada antes da operação para redução da massa tumoral e assim facilitar a retirada cirúrgica do tumor, ou após a cirurgia para destruir células cancerosas que tenham permanecido na área tratada cirurgicamente.

A prevenção consiste fundamentalmente na conscientização da população em relação aos riscos do desenvolvimento do câncer colorretal tais como; idade superior a 60 anos, parentes de primeiro grau com câncer intestinal, síndromes genéticas, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e gordura animal, tabagismo e obesidade.
A adoção de hábitos saudáveis de vida pode causar grande impacto na redução da incidência do câncer com benefícios pessoais, sociais e econômicos.

 

Câncer de Intestino

O câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e ânus. Também é conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal.

É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde.

Estatísticas

Estimativa de novos casos: 40.990, sendo 20.520 homens e 20.470 mulheres (2020 - INCA); e
Número de mortes: 20.245, sendo 9.889 homens e 10.356 mulheres (2020 - Atlas de Mortalidade por Câncer - SIM).

O que aumenta o risco?

Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação não saudável (ou seja, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras). O consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.

Outros fatores relacionados à maior chance de desenvolvimento da doença são história familiar de câncer de intestino, história pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC). Pacientes com essas doenças devem ter acompanhamento individualizado.

A exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode aumentar o risco para câncer de cólon. Assim, profissionais do ramo da radiologia (industrial e médica) devem estar mais atentos.

Como prevenir?

  • A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de intestino. Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes.
  • Além disso deve-se evitar o consumo de carnes processadas (por exemplo salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru, salame) e limitar o consumo de carnes vermelhas até 500 gramas de carne cozida por semana.
  • Esse padrão de alimentação é rico em fibras e, além de promover o bom funcionamento do intestino, também ajuda no controle do peso corporal. Manter o peso dentro dos limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de câncer.
  • Verifique se seu peso está adequado com uma calculadora de IMC.
  • Não fumar e não se expor ao tabagismo.

Sinais e sintomas

Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são:

  • Sangue nas fezes;
  • Alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados);
  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Fraqueza e anemia;
  • Perda de peso sem causa aparente.
  • Alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas)
  • Massa (tumoração) abdominal

Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas como hemorroidas, verminose, úlcera gástrica e outros, e devem ser investigados para seu diagnóstico correto e tratamento especifico.

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

Detecção precoce

A detecção precoce do câncer é uma estratégia utilizada para encontrar um tumor numa fase inicial e possibilitar maior chance de tratamento bem-sucedido.

A detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce) ou de pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

O rastreamento dos tumores de cólon e reto (colorretal) pode ser realizado através de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias). 

Os principais sinais e sintomas sugestivos deste câncer são:

  • Sangramento nas fezes
  • Massa (tumoração) abdominal
  • Dor abdominal
  • Perda de peso e anemia
  • Mudança de hábito intestinal

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em alguns dias.
Além do diagnóstico precoce, a Organização Mundial da Saúde preconiza que os países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e tratamento, realizem o rastreamento do câncer de cólon e reto em pessoas acima de 50 anos, por meio do exame de sangue oculto de fezes. Caso o teste seja positivo (constate o sangue oculto), a pessoa deverá fazer uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, que permitirá ao médico visualizar a parte interna do intestino para ver se há câncer ou pólipos que possam vir a se transformar em câncer. Ao se retirar os pólipos, se evita a própria ocorrência do câncer.

Diagnóstico

O diagnóstico requer biópsia (exame de pequeno pedaço de tecido retirado da lesão suspeita). A retirada da amostra é feita por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio).

Tratamento

O câncer de intestino é uma doença tratável e frequentemente curável. A cirurgia é o tratamento inicial, retirando a parte do intestino afetada e os gânglios linfáticos (pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo) dentro do abdome. Outras etapas do tratamento incluem a radioterapia (uso de radiação), associada ou não à quimioterapia (uso de medicamentos), para diminuir a possibilidade de recidiva (retorno) do tumor.

O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor. Quando a doença está espalhada, com metástases para o fígado, pulmão ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas.

Após o tratamento, é importante realizar o acompanhamento médico para monitoramento de recidivas ou novos tumores.

CRÉDITO: INCA (www.inca.gov.br)

Câncer de Intestino (Versão para Profissionais de Saúde)

Prevenção e Fatores de Risco

1 - Fatores de risco relacionados à alimentação, nutrição e atividade física:

O câncer de intestino está fortemente associado a hábitos de alimentação, nutrição e atividade física. A incidência da doença vem aumentando nos últimos anos e, em paralelo, observa-se que a população está cada vez mais exposta aos fatores de risco e menos exposta aos fatores de proteção.

Estar acima do peso ou ser obeso aumenta o risco de desenvolver câncer colorretal, com evidente relação dose-resposta. Manter a gordura corporal em níveis adequados (IMC entre 18.5 e 24.9 Kg/m²), por sua vez, reduz as chances de desenvolver esse tipo de câncer.

Maior quantidade de gordura corporal está relacionada a elevados níveis de insulina, com decorrente crescimento celular e inibição do processo de apoptose. O excesso de gordura corporal também promove um estado de inflamação crônica no organismo. Essas alterações biológicas decorrentes do excesso de gordura são promotoras de carcinogênese nas células intestinais.

O consumo de carnes processadas (presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame, mortadela, peito de peru e blanquet de peru) e o de carne vermelha em excesso está fortemente associado ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer colorretal.  Estimativas indicam que para cada porção de 50 gramas de carne processada consumida diariamente o risco de câncer colorretal aumenta em 18%. Durante o processamento, as carnes processadas são submetidas a altas temperaturas, resultando na produção de aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos com potencial carcinogênico em pessoas com predisposição genética. 

Apesar de serem importantes fontes de proteína, ferro, zinco e vitamina B12, as carnes vermelhas in natura (bovina, suína, de cordeiro e de cabra), quando consumidas em excesso, aumentam o risco de câncer colorretal. Observa-se efeito dose resposta na relação entre carne vermelha e câncer de intestino, quanto maior o consumo maior o risco da doença. Recomenda-se limitar o consumo de carne vermelha a menos de 500 gramas de carne cozida por semana (aproximadamente 700-750g do peso cru). Uma das possíveis explicações para essa associação é que as carnes vermelhas são fontes importantes de ferro-heme, nutriente essencial ao corpo, mas que, em excesso, pode levar à formação de compostos N-nitrosos e de formas alcenais citotóxicas oriundas da peroxidação lipídica.

Os alimentos característicos de uma alimentação saudável (os in natura e minimamente processados de origem vegetal) têm efeito protetor nas diferentes fases da carcinogênese, desde a iniciação até a progressão do tumor. Evidências apontam que consumir alimentos contendo fibra e cereais integrais (grãos) minimamente processados (arroz, milho, aveia) reduz o risco desse câncer.  As fibras dos alimentos de origem vegetal estimulam a formação de produtos de fermentação, especialmente os ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que reduzem a proliferação celular e induzem à apoptose.     Uma alimentação rica em fibras também reduz a resistência à insulina, alteração reconhecida como fator de risco para esse câncer. A recomendação para um adulto saudável é consumir de 25g a 30g de fibras ao dia.

O consumo de laticínios (leite, queijo e iogurte), assim como a suplementação de cálcio, são associados à diminuição do risco para câncer colorretal. Porém, não é recomendado o uso de suplementos alimentares com a finalidade de prevenir nenhum tipo de câncer. O consumo desses alimentos deve ser incentivado dentro do padrão de uma alimentação saudável.

Fortes evidências associam o consumo de bebidas alcoólicas ao aumento do risco para câncer de intestino quando a quantidade ingerida é superior a 30 gramas de etanol por dia (cerca de duas doses de bebida alcoólica). Resultados de estudos de coorte e metanálises recentes fornecem evidências consistentes da relação dose-resposta entre o consumo médio de álcool e câncer colorretal. Entre os mecanismos reconhecidos que explicam a associação do álcool com o câncer, está o fato de o etanol ser convertido em acetoaldeído no organismo. Ambos são classificados como agentes carcinógenos para humanos. Além disso, o etanol funciona como solvente, facilitando a entrada de outras substâncias carcinógenas nas células. 

Já a atividade física configura-se como um importante fator de proteção para o câncer de cólon, não demonstrando o mesmo efeito para o câncer de reto. Alguns mecanismos biológicos explicam como a prática da atividade física pode prevenir a doença. Além de promover o equilíbrio nos níveis de hormônios (os sexuais e os relacionados ao metabolismo da glicose, por exemplo), a atividade física reduz os marcadores inflamatórios e o tempo de trânsito gastrointestinal, com consequente redução do período de contato das substâncias que favorecem a carcinogênese com a mucosa do intestino. Outro benefício é o fortalecimento da imunidade.

Recomenda-se fazer atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Sugere-se iniciar com menos tempo (duração / minutos) e e/ou intensidade (velocidade/sobrecarga) e na medida em que o condicionamento físico melhorar e/ou houver percepção de bem-estar, aumentar a duração e/ou a intensidade para alcançar 150 minutos ou mais de atividade física moderada a vigorosa por semana. Recomenda-se ainda limitar hábitos sedentários, como ficar muito tempo exposto à televisão, computador, celular, tablet ou videogame. Para maiores informações, conheça o Guia de Atividade Física para a População Brasileira.

2 - Outros fatores de risco

tabagismo também é fator de risco para o desenvolvimento de câncer de intestino.

Detecção precoce

As estratégias para a detecção precoce do câncer são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de exame numa população alvo assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar lesões sugestivas de pré-câncer e câncer e encaminhar os pacientes com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento) (WHO, 2007).

Diagnóstico Precoce

A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação do câncer (WHO, 2017). Nessa estratégia, destaca-se a importância de a população e os profissionais estarem aptos para reconhecer sinais e sintomas suspeitos de câncer, bem como do acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde.
 
Rastreamento

O rastreamento do câncer é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico em que o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade e da incidência, nos casos de existência de lesões precursoras. Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada. Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobre diagnóstico e o sobre tratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representassem uma ameaça à vida) (Brasil, 2010).

Os tumores de cólon e reto podem ser detectados precocemente por meio de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopia). Esses exames devem ser realizados em pessoas com sinais e sintomas sugestivos de câncer, visando ao diagnóstico precoce, ou como rastreamento, nas pessoas sem sinais e sintomas, mas pertencentes a grupos de médio risco (pessoas com 50 anos ou mais) e alto risco (indivíduos com história pessoal ou familiar de câncer de intestino, de doenças inflamatórias do intestino ou síndromes genéticas, como a de Lynch). A OMS preconiza o rastreamento com pesquisa de sangue oculto nas fezes para pessoas com 50 anos e mais nos países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, a referência e o tratamento (WHO, 2013).

O exame de sangue oculto nas fezes é um primeiro teste de suspeição (triagem), que necessitará, nos casos positivos, de exame complementar/confirmatório. As grandes vantagens desse exame são: simplicidade, baixo custo e ausência de complicações. Os exames endoscópicos (retosigmoidoscopia e colonoscopia) são confirmatórios. Eles permitem fazer a biópsia e retirar a lesão pré-maligna durante a sua realização.

Estudos já comprovaram a redução da incidência e da mortalidade específica por câncer de cólon e reto com rastreamento organizado, tanto com o exame de sangue oculto de fezes guaiaco como com a retossigmoidoscopia (USTaskForce, 2021). Três grandes estudos internacionais estão em curso para avaliar a redução da mortalidade em rastreamento realizados com colonoscopia.

A recomendação no Sistema Único de Saúde brasileiro é que sejam priorizadas ações de diagnóstico precoce e abordagem personalizada para o grupo de alto risco. O Brasil apresenta diferentes realidades epidemiológicas e de redes de saúde e ainda são necessários estudos para subsidiar a análise de viabilidade da introdução do rastreamento nos diversos contextos.

O protocolo de encaminhamento da Atenção Básica para a Atenção Especializada do Ministério da Saúde (2016) define que o rastreamento de paciente com história familiar de câncer colorretal ou suspeita de síndrome de Lynch ou Polipose Adenomatosa Familiar deve ser feito em serviço especializado de genética e gastroenterologia, mas também recomenda que, onde houver baixa oferta de colonoscopia, sejam priorizados os pacientes com suspeita do câncer (Ministério da Saúde, 2016).

O diagnóstico precoce do câncer de intestino deve ser buscado por meio da investigação dos seguintes sinais e sintomas mais comuns (Nice, 2015):

  • Hemorragia digestiva baixa
  • Massa abdominal
  • Dor abdominal
  • Perda de peso e anemia
  • Mudança do hábito intestinal

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Rastreamento. Brasília, DF, 2010. (Série A: Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Primária, n. 29).

BRASIL. Ministério da Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada; v. 7 Proctologia Brasília – DF 2016. Versão preliminar Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_esp... Acesso: 17 ago. 2021.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/deteccao-precoce-do-cancer Acesso em: 19 jul. 2021.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. NICE guideline Suspected cancer: recognition and referral. Published: 23 June 2015.  Last updated: 29 January 2021 Disponível em:  https://www.nice.org.uk/guidance/ng12 Acesso em: 17 ago. 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Early detection. Geneva: WHO, 2007. (Cancer control: knowledge into action: WHO guide for effective programmes, module 3). Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43743/9241547338_eng.pd.... Acesso em: 17 ago. 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guide to cancer early diagnosis. Geneva: World Health Organization; 2017. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.

WORLD HEALTH ORGANIZATION . Global action plan for the prevention and control of noncommunicable diseases 2013-2020. WHO, 2013.

USTaskForce. Recommendation Statement of Colorectal Cancer in Adults: Screening. Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org Acesso em: 17 ago. 2021.

Diagnóstico

O diagnóstico de câncer de cólon é estabelecido pelo exame histopatológico de espécime tumoral obtido por meio da colonoscopia ou do exame de peça cirúrgica. A colonoscopia é o método preferencial de diagnóstico, por permitir o exame de todo o intestino grosso e a remoção ou biópsia de pólipos que possam estar localizados fora da área de ressecção da lesão principal.

O diagnóstico da doença por exame radiológico contrastado do cólon (enema opaco) deve ser reservado para quando não houver acesso à colonoscopia ou quando existir contraindicação médica para esse exame. A investigação de possíveis metástases intra-abdominais e pélvicas deve ser feita alternativamente por meio de exame tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

A investigação de metástases pulmonares deve ser efetuada por meio de tomografia de tórax. Na suspeita de câncer retal pela história clínica é mandatória a realização de um exame proctológico (toque retal). A identificação correta do local da lesão e a possibilidade de obtenção de espécime para exame histopatológico fazem com que a retossigmoidoscopia (rígida ou flexível) seja sempre indicada na suspeita de câncer retal. Nos casos confirmados da doença, a infiltração e extensão do tumor de reto devem ser avaliadas pela ressonância magnética. Pelo risco de tumores sincrônicos do cólon, a colonoscopia deve ser realizada sempre que possível antes do tratamento desses doentes.

O exame de tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) é indicado em situações bem específicas, não devendo ser rotina.

Fontes:

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Prevenção do câncer do intestino. RBC, 2003. Disponível em <http://www.inca.gov.br/rbc/n_49/v04/pdf/norma5.pdf>
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Falando sobre câncer do intestino / Instituto Nacional de Câncer, Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Sociedade Brasileira de Cancerologia, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. -
    Rio de Janeiro: INCA, 2003. Disponível em <www.inca.gov.br/publicacoes/livros/falando-sobre-cancer-intestino>
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas em Oncologia/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. Disponível em <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/outubro/19/livro-pcdt...

Estudos clínicos abertos

Confira os estudos clínicos abertos para inclusão de pacientes no INCA.

CRÉDITO: INCA (www.inca.gov.br)

 

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